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Bancos globais progridem rumo à adequação a Basileia 3

26 setembro 2013

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Os maiores bancos globais reduziram o déficit nas reservas que eles terão de ter para cumprir as regras de adequação de capital do acordo da Basileia 3, em € 82,9 bilhões no segundo semestre de 2012, deixando uma lacuna de € 115 bilhões. “Os déficits de capital sujeito a risco dos grandes bancos por ativos internacionalmente continuam diminuindo”, disse o Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, em um comunicado.

Os maiores bancos europeus respondem por uma grande parte do déficit restante, segundo dados publicados ontem pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês). O comitê da Basileia disse que os bancos também precisam se esforçar mais para atender a um planejado limite compulsório de endividamento, conhecido como relação de alavancagem. Um quarto dos grandes bancos globais ainda não conseguiu cumprir esse padrão.

As autoridades reguladoras globais e os bancos vêm se enfrentando por causa da rigidez das regras de capital, endividamento e liquidez, que foram estabelecidas em 2010 como parte de uma reorganização do setor bancário para evitar uma repetição da crise financeira que se seguiu ao colapso do Lehman Brothers. As medidas, conhecidas como Basileia 3, vão mais que triplicar o capital próprio que os bancos terão de manter, para pelo menos 7% de seus ativos, ponderado pelo risco.

“Muitos progressos foram feitos pelos bancos no atendimento do padrão de capital sujeito a risco, mas ainda há muitas questões em aberto sobre a utilidade e confiabilidade dessas medidas”, diz Richard Reid, pesquisador de finanças e regulamentação da Universidade de Dundee, na Escócia. “No curto prazo, o foco regulador e de mercado na Europa provavelmente será mais sobre a iminente revisão da qualidade dos ativos” dos bancos pelo Banco Central Europeu (BCE), diz Reid.

A previsão é que as exigências do acordo da Basileira 3 estarão implementadas totalmente em 2019. Os maiores bancos da Europa respondiam por € 70,4 bilhões do déficit de capital identificado pelo comitê da Basileia no fim do ano passado, conforme informou a EBA ontem em um comunicado separado. Eles reforçaram seus níveis de capital em € 29 bilhões desde junho de 2012, segundo a EBA.

Os bancos podem preencher as lacunas de capital reforçando suas reservas ou reduzindo seus ativos ponderados pelo risco. O déficit geral de capital dos grandes bancos globais encolheu 42% no fim de 2012, em comparação à metade do ano, segundo informou o comitê da Basileia.

O Barclays, segundo maior banco do Reino Unido em ativos, anunciou em julho que pretende captar 5,8 bilhões de libras (US$ 9,3 bilhões) em uma emissão de direitos de subscrição de ações, para reforçar o capital e assim cumprir com os limites de alavancagem impostos pelas autoridades britânicas. O Deutsche Bank, maior banco da Europa continental, disse no mesmo mês que vai encolher seu balanço em € 250 bilhões como parte de seus esforços para se adequar ao acordo da Basileia 3.

“Mais recentemente, tem havido um foco maior em medidas mais diretas, como a alavancagem, em vez das exigências de regulação de capital”, diz Reid. “Mas mesmo aqui parece haver oportunidades significativas de indulgência e atenuação.”

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos perderam, em janeiro deste ano, o prazo para começar a implementar os padrões da Basileia sobre o capital, e disseram que vão começar o processo no ano que vem.

Uma amostra de 222 bancos pesquisados pelo comitê da Basileia, incluindo 101 grandes bancos internacionais, mostrou um déficit combinado de € 563 bilhões nos ativos fáceis de vender, para que os bancos cumpram com uma das regras de liquidez da Basileia. A relação de cobertura de liquidez também deverá entrar plenamente em vigor a partir de 2019.

A amostragem de bancos também tinha um déficit de € 2 trilhões nas necessidades de financiamento estável necessárias para atender uma exigência separada do comitê da Basileia, de os bancos garantirem empréstimos de longo prazo com recursos improváveis de secar em uma crise. Esta medida, conhecida como relação de financiamento estável líquido, está sendo analisada pelo comitê da Basileia e deverá se tornar uma exigência obrigatória em 1º de janeiro de 2018.

O comitê da Basileia define os grandes bancos globais como aqueles com mais de € 3 bilhões em capital próprio (Tier 1) e que são internacionalmente ativos. Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e Suíça estão entre as nações que prometeram estabelecer regras mais duras para seus bancos, do que as exigidas pelo Basileia 3.

Enquanto os bancos reforçam seus balanços, os rendimentos relativos de bônus de bancos, que vão de Citigroup a J.P. Morgan Chase & Co., caíram este mês abaixo da média dos rendimentos dos bônus de empresas do setor industrial. É a primeira vez desde setembro de 2007 que os investidores não exigem mais dos tomadores bancários, segundo dado do índice de rendimentos do Bank of America Merrill Lynch.

Houve uma inversão na relação depois que os spreads dos bônus bancários subiram ao patamar sem precedentes de 365 pontos-base a mais que os rendimentos dos bônus do setor industrial, em meio à pior crise financeira desde a Grande Depressão.

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