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Economistas dizem, que Câmbio é principal desafio da indústria

18 setembro 2014

ABTTC

O aumento dos salários acima dos índices de produtividade pode ser o diagnóstico mais fácil para os desequilíbrios na indústria, mas não é o principal desafio do setor. De acordo com especialistas reunidos ontem no 11º Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, fatores como o câmbio desalinhado e a diminuição da densidade do parque fabril brasileiro têm peso maior na perda de competitividade do setor nos últimos anos.

A valorização da moeda brasileira teve efeito negativo duplo para a indústria, na avaliação de Nelson Marconi, professor da FGV. De um lado, ela restringiu o papel do país como fornecedor para a demanda agregada doméstica em expansão – suprida de maneira significativa pelas importações a partir de 2004. No campo externo, reduziu a capacidade da indústria brasileira de explorar mercados estrangeiros.

Uma taxa de câmbio mais próxima de R$ 3 naquele período – o que ele denomina de “taxa de câmbio de equilíbrio industrial” – teria permitido à indústria crescer dentro e fora do país, manter as taxas de lucro e promover investimentos em suas respectivas unidades produtivas. Nesse cenário, a produtividade avançaria em patamar mais próximo dos salários, tornando-os um problema de custos menor.

Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), colocou em perspectiva a importância dos salários como formador da demanda agregada, e não apenas como parcela das despesas das empresas. O avanço modesto da produtividade nos últimos anos, para ele, tem sido ditado pelas transformações na estrutura do parque fabril brasileiro, que perdeu densidade diante da concorrência externa, fabricando produtos com menor valor agregado. “Esse, sim, é um problema sério”, pontuou.

A dinâmica salarial no Brasil, conforme expôs o economista da Universidade de São Paulo (USP) José Pastore, está hoje bastante ligada à demografia – e, não é, portanto, uma situação circunstancial. A redução da taxa de fertilidade reduziu a parcela de jovens na pirâmide etária brasileira – de 37,6% em 1982 para 24,6% em 2012 -, deixando o mercado de trabalho mais apertado. Na outra ponta da pirâmide, a estrutura do nosso sistema previdenciário tem estimulado os mais velhos a se aposentar cada vez mais cedo. “É comum ouvir que as empresas têm de reduzir os requisitos de qualificação para preencher as vagas de maior qualificação”, comentou.

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