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Frustrada retomada da indústria naval no País por Pernambuco em 2014

16 setembro 2014

PORTOS E NAVIOS

O renascimento da indústria naval no Brasil colocou Pernambuco no radar do mercado construtor de embarcações. Criado há 10 anos, o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro (braço de logística da Petrobras) permitiu que brotassem estaleiros em terras antes ocupadas pela secular cana-de-açúcar, no município de Ipojuca (distante 50 km do Recife). Desenvolvido para estimular a retomada da atividade no País, o programa encomendou 49 embarcações, injetando R$ 11,2 bilhões numa indústria que tinha submergido desde os anos 80. O desafio do programa, agora, é conquistar competitividade internacional e evitar a dependência da “mãe” Petrobras, que ancora as encomendas.

Uma década do Promef

O Promef promoveu a modernização de antigos estaleiros e o surgimento de novos. Das três plantas erguidas a partir do programa, duas estão em Pernambuco (Atlântico Sul e Vard Promar) e uma em São Paulo (Rio Tietê). Juntos, EAS e Promar representam investimento de R$ 2,5 bilhões e a geração de 6,7 mil empregos diretos (quatro vezes mais do que vai gerar a refinaria quando entrar em operação). Do total de 49 embarcações encomendadas, o EAS abocanhou 22 embarcações (contrato de US$ 2,2 bilhões) e o Vard outros oito navios (US$ 526 milhões). As encomendas vão ampliar a frota da Transpetro, que hoje é de 60 navios.

Ao longo de uma década, o Promef enfrentou uma série de dificuldades. O João Cândido, primeiro navio do programa e primogênito do Atlântico Sul, foi entregue com 2 anos de atraso. Os problemas fizeram a Transpetro suspender temporariamente os contratos com empreendimento. O estaleiro sofreu com prejuízo, problemas de gestão, dificuldade de qualificação de mão de obra e com a debandada da Samsung (sócia e parceira técnica) do negócio. Hoje o EAS vive uma nova fase. Se associou ao grupo japonês IHI Corporation e recoloca a casa em ordem. Com 5,3 mil funcionários, tem a missão de concluir a entrega das encomendas até 2019.

“O Promef é um marco na reiniciação da indústria naval no País. O programa trouxe a previsibilidade de demanda que o mercado precisava para decidir investir”, diz o presidente do Vard Promar, Miro Arantes, lembrando que antes do programa o empreendimento vivia de poucas encomendas de barcos de apoio para o setor offshore. O Vard investiu R$ 350 milhões na planta de Suape e hoje conta com 1,4 mil colaboradores. Na avaliação do empresário, a mão de obra é um dos maiores desafios da retomada.

“Os empresários e a Petrobras foram otimistas nessa retomada. Quando se definiu o conteúdo nacional de 65% não se imaginava que teríamos tantos problemas com produtividade. Estamos gastando mais e levando mais tempo para construir os navios. Por isso, alguns estaleiros estão importando cascos”, observa.

Arantes conta que só este ano o Vard está investindo R$ 10 milhões em qualificação de pessoal. A empresa construiu um centro de treinamento dentro da planta e desenvolve programas de reciclagem para as áreas técnicas e de gestão. O empresário também destaca a alta rotatividade no setor. “Pernambuco vive um ciclo de desenvolvimento, com muitas obras de infraestrutura e grandes empreendimentos em implantação. Isso dificulta a retenção de pessoal”, reforça, afirmando que o Vard desenvolve uma política de fidelização.

Mas há quem fuja das obras com data marcada para acabar e busque estabilidade. É o caso de Everton da Silva e Danilo Barbosa, que conseguiram vaga de montador e soldador no Vard. “Trabalhei na refinaria, mas sabia que a obra ia terminar e tentei uma vaga no estaleiro”, diz Everton. “Quero ter a chance de crescer na empresa”, completa Danilo.

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