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Investidores avaliam passos dos EUA com lupa

15 outubro 2013

VALOR

A proximidade do “deadline” do imbróglio fiscal americano tem feito com que o mercado acompanhe com lupa seus desdobramentos. A expectativa tem sido a de um acordo fechado antes da data final, no próximo dia 17, ainda que se trate apenas de uma “ponte” até uma definição conclusiva acerca do orçamento e, ainda mais importante, da elevação do teto de US$ 16,7 trilhões da dívida.

Embora os países detentores de grandes volumes de Treasuries venham alertando para o risco de catástrofe em caso de “default” (calote) da dívida após o dia 17, e as instituições financeiras estejam desenhando cenários possíveis para o desdobramento das negociações, as maiores probabilidades aventadas ainda têm sido de resolução.
As análises têm atribuído poucas chances de um desfecho negativo, caso do Nomura. A instituição vê 70% de chances de um acordo antes do dia 17; 20% de probabilidade de ocorrer após esta data (mas apenas a aprovação “formal” do acordo); e 10% de chance de nenhuma luz no fim do túnel até quinta-feira, o que incrementaria sobremaneira a tensão nos mercados.
O cronograma de pagamentos cruciais do Tesouro americano nos próximos dias é: 1) US$ 12 bilhões para a seguridade social (dia 16); 2) na quinta, limite do teto atingido, o que impede a autoridade de honrar obrigações legais como serviço da dívida, seguridade social, militares e outros; 3) outra tranche de US$ 12 bilhões à seguridade social (dia 23); 4) cupom de Treasuries de US$ 6 bilhões e US$ 61 bilhões em principal (dia 31); e 5) US$ 67 bilhões em benefícios ao “Medicare”, seguridade social, veteranos e militares.
Em caso do pior desfecho, há diversas dúvidas quanto à ordem que o governo americano adotaria para os pagamentos. Jack Lew, secretário do Tesouro, disse ao Congresso que a priorização de credores internacionais não seria possível por conta de limitações do sistema operacional.
Mesmo em cenário de solução temporária para o impasse, os anúncios de indicadores econômicos sob responsabilidade do governo federal continuam a ser postergados, caso do importante relatório do mercado de trabalho, um dos “parâmetros” usados pelo Fed (banco central americano) para orientar a política monetária.
Na semana passada, Jerome Powell, membro do “board” (comitê com direito a voto) do Fed, falou sobre o lento progresso no mercado de trabalho. Também disse que a incerteza fiscal tinha desempenhado um papel na decisão de não iniciar a redução dos estímulos em setembro: “Eventos desde a reunião de setembro sugerem que os receios no front fiscal tinham fundamento”.
O presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, também em discurso, reiterou que a decisão do Fed foi apertada, mas indicadores mais fracos e o quadro fiscal justificam a manutenção do status de política pelo banco central: “A política necessariamente mudará conforme atualizamos nossas previsões e avaliações de risco, em vista de novos dados econômicos”.
E é aí que está o problema. Os dados de setembro, atrasados desde o dia 4, estão programados para esta semana, mas podem não sair dada a paralisação do Departamento de Trabalho.
Enquanto isso, os pedidos de auxílio desemprego continuam a ser divulgados, já que são coletados pelos Estados. Números recentes mostraram uma alta importante no número de pedidos – a média móvel de quatro semanas subiu de 305 mil para 325 mil -, mas há efeitos temporários sendo contabilizados, alertou o Departamento do Trabalho.
Neste caso, não dá para apostar que os números de empregos federais que serão coletados posteriormente reflitam o mesmo quadro. “Os pedidos de seguro desemprego não forneceram a melhor leitura das condições gerais do mercado de trabalho, uma vez que apenas capturam o ritmo de demissões e não o que está acontecendo com a contratação”, dizem os economistas Yelena Shulyatyeva e Bricklin Dwyer, do BNP Paribas.
Os dados mensais do “Bureau of Labor Statistics” confirmam um rápido declínio nas demissões e não uma melhoria da taxa de contratação. Divergências nos números finais de setembro e outubro também podem acontecer, nos moldes do “shutdown” (interrupção parcial das atividades do governo) de 1996.
Tudo indica, portanto, que o mercado continuará às cegas nas próximas semanas no que tange à avaliação da economia americana. Os olhos estarão muito mais voltados para o cenário político.

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