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Salário diferenciado

15 outubro 2013

VALOR

Ser administrador de uma companhia aberta listada no segmento tradicional da BM&FBovespa significa ter uma remuneração menor do que aqueles que trabalham nas empresas que assumiram um compromisso maior com a governança, nos Níveis 1 e 2 ou Novo Mercado.

Um conselheiro de administração de uma empresa tradicional ganha, em média, metade do que aquele que trabalha numa companhia do Novo Mercado. No caso de diretores, um terço.

Essa conclusão pode ser obtida a partir de estudo do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que neste ano, pela primeira vez, coletou dados sobre a remuneração de administradores do segmento tradicional. De posse dos novos dados, o instituto ainda deverá se debruçar mais sobre a análise das companhias tradicionais.

O levantamento também mostrou outro resultado curioso: as empresas do Novo Mercado são aquelas que menos possuem conselhos fiscais instalados – 48,80% delas possuem o órgão. Nas empresas do Nível 1, 84,85% tem esses profissionais em seus quadros; no Nível 2, 68,42%; e, no tradicional, 57,25%.

Luiz Martha, gerente de pesquisa do IBGC, acredita que há maior incidência de conselhos fiscais nas empresas fora do Novo Mercado, porque nessas companhias os acionistas possuem menor poder de interferência nas decisões dos controladores e fazem uso dos conselhos fiscais para poder olhar mais de perto as companhias.

Fazem parte do Nível 1, que lidera em total de conselhos fiscais, 33 empresas, entre elas algumas das maiores blue chips (com grande liquidez e peso no Índice Bovespa) e muitas companhias com controle definido. O Nível 1 é também o que mostrou maior média de remuneração dos administradores.

Martha destaca ainda que o número de empresas que fez uso de liminares para não divulgar os valores médios, máximos e mínimos de remuneração para cada órgão da administração caiu de 18,65% na pesquisa divulgada em 2012 para 15,65% na de 2013. Aquelas que fizeram uso desse instrumento jurídico apresentaram remunerações maiores nos conselhos e para os diretores.

A análise dos dados, explica o gerente do IBGC, foi feita a partir da mediana das informações, que exclui do cálculo valores muito pequenos ou muito elevados que possam distorcer o resultado final.

No caso do conselho de administração, a remuneração média anual individual do conselheiro nas companhias do segmento tradicional ficou em R$ 70,5 mil. Quem trabalha em empresas do Novo Mercado ganha mais do que o dobro, ou R$ 146 mil na comparação com o dado da pesquisa anterior, houve aumento de 15% para esses profissionais. No Nível 2 de governança, o pagamento foi um pouco menor, de R$ 122,9 mil – aqui houve um decréscimo de 28% sobre o ano anterior. São mais bem pagos aqueles que trabalham nas empresas do Nível 1, com R$ 230,8 mil, em média, com crescimento de 11%.

Os dados mostram também que a remuneração dos integrantes dos conselhos pode variar muito. No caso do Novo Mercado, a remuneração média individual máxima do conselheiro alcançou R$ 1,099 milhão e a mínima, R$ 2,3 mil os dados não se referem a uma mesma empresa. No Nível 1, a maior remuneração média máxima individual é de R$ 8,3 milhões.

Martha explica que as remunerações podem variar muito até mesmo dentro de uma mesma companhia. “Normalmente os conselheiros que recebem mais são ou presidentes do órgão ou fazem parte de outros comitês internos”, diz Martha. “Há ainda algumas que fazem pagamentos apenas simbólicos”, diz. Conforme os dados, 34% das empresas remuneram igualmente todos os conselheiros, 66%, não.

As companhias que têm controle disperso pagam mais para o conselheiro, na mediana, R$ 177 mil. Aquelas que têm comando estrangeiro pagam R$ 50.362, ainda menos do que as estatais, com R$ 57.445. “É possível afirmar que quanto maior o faturamento da empresa, mais o administrador recebe. E que a remuneração tende a ser menor nas estatais”, diz o executivo do IBGC. Algumas empresas familiares fazem remunerações elevadas aos conselhos, o que, segundo ele, pode ser explicado pelo fato de o próprio integrante da família ter deixado cargos de diretoria e migrado para o conselho.

Em termos de estruturas utilizadas para a remuneração, no caso dos conselhos, 77,1% das empresas adotam o sistema de pagamento fixo; 15% misturam fixo e variável; 6,1% utilizam fixo e ações e 1,4% adotam fixo, variável e ações. No caso dos diretores estatutários, 47,80% têm remuneração fixa e variável; 25,42% contam apenas com pagamento fixo; 23,05% têm remuneração fixa, variável e com ações e 3,73%, fixa e via ações.

Martha destaca que um ponto interessante a se observar é que é recomendável que a estrutura de remuneração do conselho seja diferente da dos diretores. “Os resultados mostram uma estrutura recomendável, que diferencia conselheiros e administradores. Por exemplo, uma remuneração fixa para o conselheiro e na maior parte variável para os diretores. Se a remuneração para os conselheiros for também variável, é recomendável que os prazos para exercícios de opções ou pagamentos sejam diferentes entre diretores e conselheiros, para que o conselho não perca o seu papel de monitoramento do diretor”, diz Martha.

Em termos de valores, os dados de remuneração da diretoria estatutária mostram que a mediana das empresas do segmento tradicional ficou em R$ 473,5 mil. Novamente, as listadas no Nível 2 pagam mais, R$ 1,728 milhão, com alta de 19%. No Nível 1, a remuneração ficou em R$ 1,397 milhão e, o Novo Mercado, entre as que estão nos níveis de governança, ficou com a menor mediana da remuneração média individual, de R$ 1,363 milhão, com alta de 11%. Também nesse caso, a maior remuneração média individual anual está novamente com o Nível 1, de R$ 25,312 milhões; mas seguido de perto pelo Novo Mercado, com R$ 23 milhões.

No segmento tradicional, o maior valor para os diretores também é significativo: alcançou R$ 13,3 milhões e superou o maior pagamento do Nível 2, que foi de R$ 5,2 milhões. As remunerações médias fixas dos diretores nos níveis de governança são próximas, na casa dos R$ 700 mil no segmento tradicional ela é de R$ 410 mil.

No conselho fiscal, o segmento tradicional ficou com R$ 41,48 mil ao ano. Nos outros níveis, as medianas são próximas: R$ 66,9 mil no Nível 1; R$ 64,6 mil no Nível 2 e R$ 60 mil no Novo Mercado, que concentra a menor remuneração para esses profissionais. A maioria das empresas, 75%, remunera igualmente todos os conselheiros fiscais.

O estudo iniciou a coleta de informações dos formulários de referência das companhias com dados referentes ao exercício de 2011 os dados foram coletados entre setembro e novembro de 2012. A amostra inicial continha 417 empresas listadas, mas algumas foram desconsideradas ou porque as ações não eram negociadas ou por conta de apresentação incorreta de dados. Ao final, a pesquisa se concentrou em 299 empresas, na análise do conselho de administração; 300 para os diretores estatutários; e 175 empresas que possuem conselheiros fiscais.

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